9 de abril de 2017

América do Sul. Uma região à procura de novos líderes

Disputas ideológicas, corrupção, miséria e um futuro nebuloso. Nas últimas semanas, uma sucessão de acontecimentos graves tem colocado a América do Sul no centro das principais discussões e teses sobre o modelo político e econômico adotado.
A exemplo do que ocorreu no Brasil, com a aprovação do impeachment no ano passado, nações vizinhas buscam alternativas drásticas para resolver impasses, como a tentativa da instalação de referendo para a destituição do mandato do presidente Nicolas Maduro na Venezuela. O mandatário, por outro lado, influenciou a Suprema Corte a assumir as funções do Congresso no País. A medida foi encarada como golpe pela oposição.
Para especialistas em política sulamericana consultados pelo O POVO, fatos como esses se justificam porque as lideranças regionais dividem o mesmo perfil: são velhas. Elas pararam no tempo, dizem os pesquisadores.
“O representante não representa a urna e as ideias, digamos, que estão na modernização social, econômica, educacional da América Latina. Eles não representam as representações reais, objetivas”, diz Flávio Saraiva, pesquisador do Instituto de Relações Internacionais (Irel), da Universidade de Brasília.
Saraiva argumenta que, apesar de os conflitos não estarem necessariamente pautados pela mesma razão, o perfil político “velho” explica o grau de insatisfação generalizado da população.
“Há uma perda de confiança desses regimes na América Latina cuja aberturas têm, digamos assim, convocado essa velha elite. As elites não acompanharam o desenvolvimento das sociedades”, reflete.
Ainda segundo o especialista, a única saída para o impasse é o surgimento de novos representantes com modelos distintos dos atuais de administração pública. “Essas morreram e não sabem governar num mundo de transformação da globalização”, avalia.

Esquerda e direita
Há décadas cobrindo a política da região, o correspondente especialista em América Latina, Ariel Palacios, concorda com Saraiva ao discorrer sobre a “velhice” das práticas políticas. No entanto, vê a crise de outra forma.
“São fenômenos totalmente diferentes entre eles. Uma coisa não está vinculada à outra, não existe na América do Sul efeito contágio”, diz.
Palacios constata também um certo “cansaço” da população com o modelo político tradicional. “A gente vê, de formas diferentes em vários desses países, um cansaço da classe política tanto da situação quanto da oposição. A direita se descaracterizou e a esquerda também, e isso frustou os eleitores desses dois lados”, afirma.
Nesse momento em que os partidos ideológicos não cumprem o seu papel é que que surgem lideranças chamadas “antissistemas” com a negação da política tradicional, alerta o correspondente.
“É aí que surgem figuras que tentam pegar esse vácuo para se apresentar como antissistema. Assim como foi o Trump (presidente dos Estados Unidos)”, diz.
Por Wagner Mendes
Com informações do Jornal O Povo

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