28 de setembro de 2016

Treinador do Juventude-RS prioriza acesso, mas sonha com decisão gaúcha na Copa do Brasil

Antônio Carlos Zago fecha os olhos e deixa a imaginação ir longe. Amparado no desempenho do Juventude, ambiciona alto. Ou melhor, sonha, como prefere dizer. Respaldado pela classificação sobre o São Paulo às quartas de final da Copa do Brasil, não fecha as portas para novo triunfo. Desta vez contra o Atlético-MG, em duelo que inicia às 19h30 desta quarta, no Mineirão. 
Aliás, chega a torcer para encontrar o Inter nas semifinais e, enfim, vencê-lo. Para depois, em uma utopia máxima, fazer uma decisão contra o Grêmio, em uma espécie de celebração do futebol gaúcho. Só que, enquanto mantém vivo o sonho do bi da Copa do Brasil, deixa claro que a prioridade é recolocar a equipe de Caxias do Sul na Série B do Brasileirão. Para tal, precisa superar o Fortaleza pelas quartas de final da Série C:
– A equipe tem jogado com inteligência, tranquilidade e temos o jogo com o Atlético-MG, mas o principal objetivo é o Fortaleza. Porém, começamos com um sonho na Copa do Brasil. Estamos realizando. Espero seguir sonhando. É importante, dá rentabilidade, mas a classificação à Série B é o foco – diz o técnico, em entrevista ao GloboEsporte.com.
Antônio Carlos Zago técnico Juventude (Foto: Tomás Hammes / GloboEsporte.com)Antônio Carlos Zago tenta recolocar o Juventude na briga por títulos nacionais (Foto: Tomás Hammes / GloboEsporte.com)

Talvez, ao assumir o Juventude no final do ano passado, o próprio Zago não esperasse resultados tão expressivos já nesta temporada. Vice-campeão do Gauchão, chega a se surpreender com a boa campanha na Série C e também na Copa do Brasil. Considera o grupo ainda em formação. Porém, os resultados serviram para inflar a confiança do técnico e do grupo.

O que, já no início da Série C, incomodou pela arrancada oscilante. Com sua simplicidade, o diálogo franco com os jogadores, estudo para ocupar o posto e inspirado nos mestres Telê Santana – seu técnico no São Paulo – e o romeno Mircea Lucescu, com quem trabalhou no Besiktas e no Shakhtar Donetsk, já como auxiliar –, fez o Ju retomar seu norte.
O ápice chegou na semana passada, com a confirmação da vaga entre os oito melhores da Copa do Brasil, pelo gol qualificado (venceu o São Paulo por 2 a 1 no Morumbi e perdeu no Alfredo Jaconi por 1 a 0). O sorteio o colocou para medir forças diante do Galo, com primeiro jogo marcado para esta quarta-feira no Mineirão. Antônio Carlos sabe que a tarefa é delicada, mas lembra o triunfo diante dos comandados de Ricardo Gomes para prosperar novamente.
– Se você olhar a classificação da Série A é o mais difícil. O Atlético-MG está em terceiro (com 49 pontos, cinco atrás do Palmeiras e quatro do Flamengo), mas o São Paulo também tem uma grande equipe. Tiramos proveito do regulamento. Vencemos o primeiro, perdemos o segundo. É um momento importante, seguiremos sonhando com a classificação – analisa. 
Para alcançar o feito, o ex-zagueiro terá que conter o estelar grupo de Marcelo Oliveira. Se Fred está fora por já ter atuado pelo Fluminense, o Galo ainda conta com nomes como Cazares, Dátolo, Robinho e Lucas Pratto. A ideia é evitar os mineiros trocarem passes e buscar jogadas individuais. 
Mesmo assim, o ímpeto ofensivo do adversário expõe o sistema defensivo. Como o jogo de ida ocorrerá em Belo Horizonte, Zago busca ao menos um gol no Mineirão, como tem sido praxe ao longo do torneio (anotou nos empates em 1 a 1 com Tocantinópolis, 2 a 2 com Coritiba e vitória por 2 a 1 sobre o Paysandu, além do triunfo com do São Paulo).
– O Fred não joga, mas o Pratto, com características semelhantes. Há ainda o Robinho, mas não só eles. Não podemos dar espaço. Precisamos estar atentos. Há muitos jogadores de seleção – destaca. – O importante é marcar fora na Copa do Brasil. Temos jogadores inteligentes, velozes. O Roberson tem feito a diferença. Espero que não só ele, mas todos estejam em uma noite inspirada.
É um sonho. Sonhava passar fases. É outro sonho. Seria importante para o futebol gaúcho dois times na semifinal e final. Chegamos em três. Quem sabe pelo menos um na final. Espero que o Juventude esteja lá
Antônio Carlos Zago
Uma classificação poderia fazer o Juventude enfrentar o Inter nas semifinais e reeditar o embate de 1999 (quando os caxienses foram campeões nacionais), além de dar o troco da derrota nas finais do Gauchão. Para isso, o Colorado precisaria superar o Santos nas quartas de final. Zago reitera que a prioridade é o duelo com o Fortaleza pela Série C e, na Copa do Brasil, pensar apenas no Galo. Entretanto, reconhece que um clássico gaúcho o motivaria.
– É lógico que você sonha. O Inter pode ser o próximo. Mas primeiro, temos um caminhão de brita para descarregar. Vamos concentrar nossas forças com o Galo. Há o Fortaleza. E só depois pensar no Inter. O Inter é uma pedra no sapato. Perdemos os três anos para um dia poder ganhar – recorda.
Com o trabalho como trunfo e a mente positiva, torce, inclusive, para o Rio Grande do Sul mostrar sua força. O desejo é, caso consiga continuar, realizar a decisão contra o Grêmio, que duela contra o Palmeiras nas quartas, em lado de chave que conta ainda com o Corinthians e Cruzeiro.
– É um sonho. Sonhava passar fases. É outro sonho. Seria importante para o futebol gaúcho dois times na semifinal e final. Chegamos em três. Quem sabe pelo menos um na final. Espero que o Juventude esteja lá – almeja o treinador.
Juventude x São Paulo; Copa do Brasil (Foto: Estadão Conteúdo)Juventude eliminou o São Paulo nas oitavas de final da Copa do Brasil (Foto: Estadão Conteúdo)
Antônio Carlos lembra que, além da cabeça aberta e o trabalho, sempre lutou, desde os tempos de jogador, para vencer. A carreira, marcada por passagens pelo São Paulo, Palmeiras, Corinthians, Santos, Roma e Seleção, foi baseada na obsessão por títulos e triunfos. Nesta equação, deixa claro que não medirá esforços para recolocar o Juventude na Série B. Caso tudo dê certo, com novo título nacional. Tanto que, só ao término da temporada, definirá seu futuro. 
– Primeiro sonho com o Juventude na Série B. É um desafio que tenho. Recusei propostas de Séries B e A. Dei palavras a pessoas que conheço. Depois terminando isso vejo o que ocorrerá – conta o técnico. 
Com contrato até o final do ano, Zago coloca os pés no chão para atingir os objetivos no Alfredo Jaconi. Conseguirá a sonhada vaga na Série B? E o bicampeonato do Juventude na Copa do Brasil, desbancando os gigantes da Série A? Por enquanto, tudo não passa de um sonho. Mas com trabalho e confiança, é um sonho possível.
Reportagem 
Por Porto Alegre

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