6 de abril de 2016

No CE, Camilo admite possibilidade de bomba ser tentativa de intimidação

Governador na reunião de monitoramento envolvendo o comando da segurança pública do Ceará (Foto: Viviane Sobral/G1)Governador na reunião de monitoramento envolvendo o comando da segurança pública do Ceará (Foto: Viviane Sobral/G1)
O governador do Ceará, Camilo Santana, reconheceu nesta quarta-feira (6) a possibilidade de o episódio com os explosivos encontrados perto da Assembleia Legislativa estar relacionado a uma tentativa de intimidação aos setores de segurança do estado. As declarações foram feitas após apresentação dos índices de segurança pública no Ceará, referentes ao mês de março.

"Está sendo feito com muita rigorosidade a investigação desse caso - que é muito sério, inclusive com apoio da Polícia Federal e do Ministério Público. Isso é muito grave, mas sempre dando recado claro que, se isso é uma tentativa de intimidar o Governo ou a Secretaria da Segurança Pública nessa área, eles estão enganados. Nós não vamos abrir um milímetro sequer de combater ao crime no estado do Ceará", declarou.

Em seguida, Camilo reforçou que a lei que bloqueia o sinal dos celulares nos presídios cearenses, aprovada pela Assembleia Legislativa e tida como uma das motivações para episódio do carro-bomba, já foi sancionada por ele. "Nós vamos colocar em vigor para que obrigue as empresas a bloquearem o sinal, porque isso é uma forma de reduzir a criminalidade e combater a violência. É uma posição firme." Camilo disse que um grupo de trabalho foi formado, juntamente com a Secretaria da Justiça (Sejus) e a Procuradoria Geral do Estado (PGE), para verificar com as empresas como vai ser a implementação. Apesar de sancionada, a lei ainda não foi regulamentada.

O titular da Secretaria da Segurança e Defesa Social (SSPDS), Delci Teixeira, informou que na noite desta terça-feira (5) um casal foi preso em Fortaleza por suspeita de envolvimento no assalto do carro onde os explosivos foram encontrados. "Possivelmente, estamos confirmando, seja o mesmo casal que roubou esse carro. Já é uma possibilidade a mais de investigação", disse, sem repassar mais informações sobre essas prisões.

Delci esclareceu que a polícia não chegou aos explosivos no carro por meio de denúncia anônima, como a própria secretaria havia divulgado, por meio de nota, na terça-feira. Ele defendeu ainda que não se pode criar um clima de "histeria coletiva" no estado a partir desse episódio, "dizendo que pode ter um carro-bomba, e qualquer carro que se vê estacionado pensar que é carro-bomba e pode explodir. Se há essa reação é porque há um trabalho da polícia".

Origem dos explosivos
O secretário reiterou que nenhuma linha de investigação foi descartada, mas apontou, como uma das mais fortes, que o grupo que colocou explosivo pode ser o mesmo que comete crimes de ataque a bancos. “Nós tivemos três assaltos a pedreiras (Caucaia, Maranguape e Quixeré) onde foram roubadas dinamites. Essa dinamite que foi encontrada é aquela usualmente utilizada por esses criminosos para assaltos a banco", lembrou.

"Não é difícil conseguir esses explosivos, porque as pessoas assaltam as pedreiras. Quem controla a comercialização e transporte é o Exército Brasileiro através do Serviço de Fiscalização de Produtos Controlados (SFPC)", diz.

A polícia, segundo o secretário, verifica as câmeras de segurança nas proximidades do estacionamento. "Já identificamos algumas imagens em que o carro é visto. Já podemos dizer que aquele carro foi deixado naquele estacionamento por volta de 17h. Estamos buscando mais imagens de outros estabelecimentos comerciais, pra identificarmos pessoas.

A dinamite, detalhou Delci, estava preparada com estopim e espoleta. "Isso significa que, para que aquilo fosse acionado, alguém teria que ir no local e acender aquilo. Pelo tamanho do estopim, a pessoa teria uns dois minutos pra sair do local. Claro que o encontro daqueles explosivos num carro próximo a um poder, como o legislativo, nos preocupa, é um fato de extrema gravidade. Por isso estamos dando prioridade máxima na apuração disso."

Dinamite em carro roubado
Policiais do Esquadrão Antibombas do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) recolheram 13,3 quilos de emulsão de nitrato de amônia - popularmente conhecido como bananas de dinamite, sem detonador à distância - dentro do porta-malas do veículo que estava estacionado ao lado da Assembleia Legislativa do Ceará. O veículo foi abandonado no cruzamento da Avenida Desembargador Moreira com a Rua Francisco Holanda. O carro, segundo informações da Polícia Militar, foi roubado no domingo (3).

De acordo com a SSPDS, ao chegarem ao local indicado, os policiais encontraram a dinamite dentro do porta-malas de um veículo. O artefato explosivo foi removido pelo Esquadrão Antibombas do Gate.

Do G1 CE

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