16 de julho de 2015

'Foi negligência', diz marido de mulher que morreu após extrair dente em MT

Jucilene de França morreu após sofrer infecção ao extrair dente em Várzea Grande (MT). (Foto: Arquivo pessoal)Jucilene de França morreu após sofrer infecção ao extrair
dente em Várzea Grande (MT). (Foto: Arquivo pessoal)
A família de Jucilene de França, de 31 anos, que morreu após sofrer uma infecção generalizada ao extrair um dente, reclama do descaso enfrentado por ela ao procurar atendimento na clínica particular onde fez o procedimento, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá.
Jucilene extraiu o siso no dia 4 de julho no Centro Odontológico do Povo (COP) e faleceu no dia 8 na Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá. Ela trabalhava como gerente de loja.
O marido de Jucilene, Célio Leite de Magalhães, nega que ela tenha agido com imprudência após a cirurgia. “Foi negligência da clínica. Ela seguiu todas as orientações dos dentistas e tomou os remédios da forma correta. Ela trabalhou cinco anos em uma drogaria e sabia que tipo de medicação tomar e de que forma”, disse Célio ao G1.
Sobre a cirurgia, Jucilene contou ao marido que sentiu algo 'diferente' apenas quando recebeu a anestesia, como se a língua tivesse 'tremido'. Porém, a dentista teria explicado a ela que aquilo era normal.
Segundo Célio, Jucilene passou a ter febre, sentia dores e tinha secreção após extrair o dente. Um edema também surgiu no pescoço da paciente e então eles decidiram procurar a clínica no dia 6 de julho.
“Eles deixaram ela de lado, disseram que era normal tudo isso. No dia que procuramos [a clínica] ela já estava com esses sintomas e eles viraram as costas, disseram para que ela continuasse tomando os remédios. Não se interessaram”, contou o marido. Um funcionário teria orientado a paciente a procurar o pronto-socorro da cidade.
Jucilene de França morreu após sofrer infecção ao extrair dente em Mato Grosso. (Foto: Arquivo pessoal)Jucilene de França era casada e deixou dois filhos.
(Foto: Arquivo pessoal)
O estado de saúde de Jucilene piorou e a família voltou para a clínica pela segunda vez. “Na quarta-feira (8), quando eles viram que realmente ela estava mal, é que se importaram conosco. Ela estava com uma secreção na boca, muito inchaço, febre e não conseguia falar. Ela não tinha nenhum problema de saúde, sempre fazia check-up médico”, relatou Célio.
No mesmo dia Jucilene foi levada para um pronto-atendimento particular em Cuiabá e em seguida precisou ser internada na Santa Casa de Misericórdia, onde morreu por volta de 23 horas.
Célio e Jucilene eram casados há cinco anos. A gerente deixou um filho de 16 anos e uma menina de seis. A certidão de óbito apontou que a morte foi causada por choque séptico, Angina de Ludwig [se trata de uma doença infecciosa] e extração dentária.
Investigação
O Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso (CRO-MT) abriu uma sindicância para investigar como foi o procedimento de extração de dente de Jucilene uma paciente. Segundo o presidente da Comissão de Ética do CRO-MT, Sandro Stefanini, a sindicância deve apurar o que de fato foi feito pelos dentistas que atenderam Jucilene e quais foram os passos feitos por eles.

Ccertidão de óbito aponta que a morte foi causada por choque séptico. (Foto: Arquivo pessoal)Ccertidão de óbito aponta que a morte foi causada
por choque séptico. (Foto: Arquivo pessoal)
Um inquérito policial também foi aberto na Polícia Civil em Várzea Grande. Segundo a assessoria da Polícia Civil, foi instaurado um inquérito por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Devem ser intimados a prestar depoimento os familiares de Jucilene, além dos dentistas e médicos que a atenderam. A polícia ainda aguarda o resultado do laudo da necropsia.
Clínica
Em nota, o COP informou que a paciente passou por uma radiografia e extração simples, ‘transcorrendo tudo dentro da normalidade’. A clínica disse que Jucilene recebeu orientações sobre as condutas após a cirurgia e uma receita de medicamentos que deveriam ser tomados.
O COP confirmou que a paciente retornou ao local se queixando de um edema e, na ocasião, foi orientada a tomar uma medicação, alertada para retornar novamente, caso não melhorasse nas próximas 24 horas. Porém, o marido de Jucilene nega que a clínica tenha orientado a mulher a retornar ao local nesse prazo.
No entanto, conforme a nota, Jucilene teria voltado ao COP somente na quarta-feira e teve que ser encaminhada para o pronto-atendimento e, em seguida, para a Santa Casa.
Denise SoaresDo G1 MT

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