14 de junho de 2015

"Vizinho" de Chico Anysio, Everton troca fábrica por títulos e mira acesso

"Jesus é meu caminho; Maranguape, meu lugar". A placa, com o escudo de todos os times pelos quais Everton já atuou, recebe aqueles que o visitam em casa, na cidade distante 30 quilômetros da Capital cearense. Maranguape não é somente a terra natal do meia do Fortaleza. Por lá, nasceram figuras ilustres como o humorista Chico Anysio e o historiador Capistrano de Abreu. Perto da família, Éverton se recupera de cirurgia no ombro, após lesão na final do Campeonato Cearense, e projeta retorno um mês antes do esperado: em julho, deve estar em campo na Série C do Campeonato Brasileiro. Uma espera difícil para aquele que quer ajudar, e não só torcer. 
Everton, Fortaleza, Maranguape (Foto: Thaís Jorge)Everton, do Fortaleza, colocava marca em ventiladores, em Maranguape (Foto: Thaís Jorge)

- Em 10 ou 12 dias, estou tirando o ferro do meu ombro. Depois de tirar esse ferro, posso fazer os trabalhos físicos. Esse é o processo de volta. Creio que, junto com o preparador físico, depois desses dias, eu deva estar com 80% de recuperação. Em vinte dias, devo estar voltando aos 100%. Em julho, devo voltar a jogar. No começo, era em agosto. Mas a minha recuperação está boa. Os fisioterapeutas estão gostando. A cicatrização está bem. Quero voltar e ficar feliz - conta, em entrevista ao GloboEsporte.com/ce na última quarta-feira (10), em Maranguape.
Em julho, devo voltar a jogar. Quero voltar e ficar feliz
Everton
Cobrado no início da temporada e sem render o esperado, Everton ganhou protagonismo no decorrer do estadual, em que o Fortaleza saiu vencedor. O jogador, de 30 anos, acumula outros títulos importantes na carreira: foi campeão estadual e da Série A do Brasileiro, em 2013, pelo Cruzeiro; em 2014, comemorou com o Joinville o acesso à elite, também com troféu. Em 2015, o fato de ser torcedor, de ter recebido boa proposta, de ser amigo de dirigentes, de querer estar mais perto da família e dos amigos pesou. Assim, explica a escolha pelas cores do Fortaleza, clube que defende atualmente e do qual é artilheiro da temporada, com sete gols, ao lado do volante Pio. 
- O meu início no campeonato (Cearense de 2015) não foi tão bom. A torcida pegou no meu pé, estava sendo cobrado. O motivo foi uma pré-temporada que não foi boa. Em cinco dias, estava jogando. Acho que a torcida teve paciência depois. Comecei a jogar bem, fazer gol. Pelo Joinville, fiz o gol do acesso, mas foi somente um. Em 2013, fiz três ou quatro. No Ferroviário, fiz muitos gols, fui até o vice-artilheiro da Série C (do Brasileiro, em 2006). Esse ano, sou artilheiro ao lado do Pio. Espero voltar logo para fazer mais gols e alegrar nossa torcida - afirma. 
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EMPREGO EM FÁBRICA E VIZINHO ILUSTRE
Em Maranguape, Everton não viveu histórias relacionadas apenas ao futebol. Se hoje ele desfila com braço imobilizado devido a uma lesão dentro do gramado da Arena Castelão, antes ele ralava em uma fábrica de ventiladores. A função? Colocar o nome da marca em cada objeto, um por um. Então, foi descoberto quando disputava a Liga Amadora de Indústrias de Maranguape. Um olheiro do Santana Têxtil, da Terceira Divisão do Campeonato Cearense, convidou o menino, ainda em 2003, para mudar de vida. Everton acertou. Depois do Santana Têxtil, Everton foi para o Ferroviário e despontou para o resto do País. 
- Eu fazia a tampografia. Eu colocava o nome da marca no ventilador. Não consertava. Nunca tive reclamação - brinca. 
Do "Recanto do Guerreiro", nome dado pelo meia do Fortaleza ao local de lazer da casa em Maranguape, também é possível o contato com outra personalidade. Everton é vizinho do museu em homenagem a Chico Anysio, casa onde o humorista viveu até os sete anos de idade. Um ano depois, mudou-se para Fortaleza e, depois, para o Rio de Janeiro. 
Na rua "Chico Amador", a placa de número 68 avisa que ali pode-se viver um pouco da história do conterrâneo famoso, que faleceu em 2012. Personagens de Chico e uma estátua gigante enfeitam a casa, de aproximadamente 100 anos, aberta para visitações durante toda a semana. Em Maranguape, o humorista esteve pela última vez em 2010, em um show de humor, na Praça Capistrano de Abreu, outro ilustre da cidade. 
Everton, Fortaleza, Maranguape (Foto: Thaís Jorge)Caso de Chico Anysio, em Maranguape, ao lado da residência do jogador do Fortaleza (Foto: Thaís Jorge)

- É bom, é gratificante ser conhecido aqui. Todo maranguapense tem sua referência. Tem o museu do Chico Anysio, que é do lado da minha casa. Meu tio trabalha lá há dois anos. Muitos torcedores rivais vêm conversar comigo. Isso é bom também. Onde passo o pessoal fala comigo. Rivalidade? Somente dentro de campo - pontua Everton.
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À ESPERA DE MAIS UM PÔSTER

Na Série C do Campeonato Brasileiro, o Fortaleza tem dez pontos e é o atual líder do Grupo A. O próximo duelo do time é apenas no dia 28, após Copa América, diante do Salgueiro. Com tantos títulos na bagagem e referência na equipe de Marcelo Chamusca, Everton é firme ao apontar qual o cartaz que ainda falta na parede do seu "Recanto do Guerreiro": o do acesso à Série B do Campeonato Brasileiro. E espera retornar aos gramados com a mesma inspiração dos anos anteriores.

Everton, Fortaleza, Maranguape (Foto: Thaís Jorge)Everton quer mais um pôster: o do acesso à Série B do  Brasileiro (Foto: Thaís Jorge)
- É difícil demais apenas torcer, não vou ao estádio quando estou machucado. É melhor jogar e torcer do que somente torcer, sem ajudar o time. Eu jogo com o coração e com a alma. E o espírito é esse aí. Esse ano, se Deus quiser, vai dar certo - arremata o jogador.
Por Direto de Maranguape, CE

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