23 de maio de 2015

Novos e velhos talentos se encontram em Limoeiro do Norte.

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Vinícius e Raquel, "Os Galizas da Sanfona", com 14 e 16 anos, levam a sério a arte que aprenderam e com a música tentam inspirar outros jovens
FOTOS: ELLEN FREITAS
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Hoje com 65 anos de idade, Paulo Ney ainda tem a disposição de fazer show ao lado do filho, Paulo Henrique, de 31 anos, que há 19 quis aprender o ofício do pai, não sem antes terminar os estudos
 Longe do Sertão Pernambucano, onde a sanfona deu voz ao Nordeste, nas canções de Luiz Gonzaga, em meio ao Vale Jaguaribano, o som do fole se mantém vivo, passando de geração em geração. O Festival de Sanfoneiros reúne antigos e novos instrumentistas, num espetáculo de encher os olhos e encantar ouvidos. A programação termina amanhã, 23, com homenagem a músicos e intérpretes do Interior.
O jovem Vinícius Galiza, natural de Limoeiro do Norte, conheceu de perto a sanfona quando tinha apenas seis anos, neste mesmo Festival em 2006. Em seu tempo já eram imortais as canções de Luiz Gonzaga e referências, como a do saudoso Dominguinhos, serviriam de inspiração para aprender os primeiros acordes ainda no mesmo ano. Nesse tempo, ganhou do pai uma sanfona e já em 2007 subiu pela primeira vez no palco do Festival, acompanhando o sanfoneiro Adelson Viana. Não demorou muito para que a irmã, Raquel Galiza, na época com 10 anos, trilhasse os caminhos do irmão, e em 2008 os dois passaram a se apresentar juntos.
Hoje Vinícius e Raquel, "Os Galizas da Sanfona", com 14 e 16 anos, respectivamente, levam a sério a arte que aprenderam e com a música tentam inspirar outros jovens. O forró do sertanejo, pé-de-serra, é o que eles levarão ao palco principal amanhã, a partir das 20h na Praça da Matriz de Limoeiro, quando irão se apresentar com sua banda, no último dia do Festival.

Veterano
Quem acompanha com satisfação as novas revelações da sanfona do Interior é o sanfoneiro e músico Paulo Ney, natural de Russas, mas como diz ele "também filho Limoeirense", que recebe homenagem pelos seus 50 anos de carreira: "Limoeiro acolheu a mim e ao meu trabalho e o festival é uma homenagem a todos os sanfoneiros do Interior".
Hoje com 65 anos de idade, Paulo Ney ainda tem a disposição de fazer show ao lado do filho, Paulo Henrique, de 31 anos, que há 19 quis aprender o ofício do pai. "A condição foi terminar os estudos pra aprender a tocar", relembra Paulo Henrique, que após concluir o ensino médio seguiu os rumos do pai. "Sanfona é o que a gente gosta de fazer, é o que nos sustenta. É uma coisa que faz parte da nossa história", conta Paulo Henrique.
Quem também incrementa as apresentações noturnas durante os três dias do Festival são sanfoneiros renomados, como o instrumentista Carlito Bandeira, homenageado pelos 60 aos de sanfona, Zé Celestino e Chambinho do Acordeon, entre outros. Na palestra Conversa de Sanfoneiro, hoje e amanhã, das 16h às 17h, no auditório do Núcleo Informação Tecnológica (NIT), ao lado da Praça da Matriz, o sanfoneiro Alves Nascimento bate o seu papo hoje; e Redondo, juntamente com a Banda Som do Norte, encerrando a programação diurna, amanhã.
A retomada do Festival de Sanfoneiros de Limoeiro do Norte foi, de muito tempo, uma demanda cultural da população do Vale do Jaguaribe, pela importância que suas cinco primeiras edições alcançaram, de 1968 a 1972. O Festival surgiu em 1968, a partir do programa Vesperal do Volante, da Rádio Educadora Jaguaribana, apresentado pelo radialista Luiz Gonzaga de Freitas, que reunia filas de sanfoneiros em busca de oportunidade. O evento permaneceu no imaginário cultural do Vale pela efervescência provocada, o surgimento de novos valores e os tantos casos que, até hoje, alimentam a memória local.
O Festival é uma realização do Instituto Brasil de Dentro, e está em sua 9ª edição, com apoio da Prefeitura de Limoeiro do Norte, Secretaria de Cultura do Estado do Ceará e Companhia Energética do Ceará (Coelce).
Ellen Freitas
Colaboradora

Diário do Nordeste

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