12 de abril de 2015

Sem verba federal, projetos do Governador Camilo Santana estão ameaçados

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Camilo Santana sofre as consequências de ser aliado da presidente Dilma e não poder contar com sua ajuda para repetir o Governo do antecessor
FOTO: JOSÉ LEOMAR
O governador Camilo Santana (PT), pela responsabilidade do cargo e as amarras de fazer um Governo de continuidade, além de ser aliado e do mesmo partido da presidente da República, teria que ser parcimonioso, como foi, nas entrevistas concedidas sobre os 100 dias da sua administração. Camilo experimenta uma das maiores dificuldades de um chefe do Executivo cearense nas últimas décadas, sem perspectivas alvissareiras, a curto prazo, sobretudo em face do caótico quadro econômico e político nacionais.
Em 16 de novembro do ano passado, neste espaço, escrevemos: "O novo governador, em 2015, vai precisar, e muito, da ajuda da presidente Dilma para, mesmo em ritmo mais lento que o atual (referíamo-nos à gestão anterior), sequenciar as ações governamentais. Ele já fez chegar ao conhecimento da presidente da necessidade da ajuda. É possível até que ele conte com a boa vontade da sua correligionária, mas tudo dependerá, também, da situação econômica nacional, lamentavelmente de perspectivas sombrias". A presidente, realmente, demonstrou boa vontade, mas nada tem a oferecer. Ao contrário. Sequer está entregando o prometido quando Cid era o governador.
Sereno, Camilo não externa a angústia que experimenta por conta dessa realidade nacional, extensiva a toda e qualquer administração pública, nas suas diversas esferas de Poder, nos estados e municípios. Ele apostou e fez o eleitorado crer, na possibilidade de governar o Ceará investindo como o antecessor fizera, contando, para isso, como Cid contou, com uma substanciosa ajuda federal. Qual nada. Perspicaz, antes mesmo de assumir o mandato, ele sentiu o nascer de um outro quadro, adverso daquele pintado até o final do mês de outubro, quando ganhou a eleição.
E ele lançou a ideia da criação de um imposto, tendo como modelo a antiga CPMF, que acabou resultando frustrada, somando um certo desgaste pessoal. Era o horizonte vislumbrado para manter o custeio da Saúde cearense, deveras elevado com o funcionamento de três grandes hospitais regionais e outros equipamentos construídos antes de sua posse.
Convênios
E mais, o calor da campanha o fez se comprometer em construir dois novos grandes hospitais, sendo um deles na Região Metropolitana, que, por sinal, será construído e administrado por um consórcio de empresas privadas dentro do esquema de Parcerias Público Privada - PPPs.
O abrupto anúncio da não construção da Refinaria Premium II, poucos dias após a sua posse, indiscutivelmente foi, pessoalmente, deveras frustrante, e politicamente muito impactante, pois sepultou expectativa de vir a ter o governo petista cearense a devida atenção do petista nacional. Além disso e para ampliar o desgaste, o próprio Governo estadual contribuiu para ampliar o desgaste anunciando um pedido de audiência com a presidente para tratar da questão, o que acabou não acontecendo.
O Ceará, nos pouco mais de três meses do atual Governo está fazendo o dever de casa, mas este não garante ao governante ter uma data para iniciar o cumprimento das promessas feitas na campanha: contratar milhares de profissionais para a área de Saúde, construir outros equipamentos hospitalares, de Educação, e aumentar os salários dos policiais. A propósito, o Estado gastou 53% da sua Receita Corrente Líquida com pagamento de pessoal em 2014, o correspondente a R$ 8,8 bilhões.
É muito pequena a sobra de recursos para investimentos. As limitações próprias de um Estado pobre como somos, não permitem avançar sem ser ajudado substancialmente pela União. Esta, pelas razões já conhecidas, está impossibilitada de, inclusive, cumprir os compromissos que tinha assumido para o financiamento parcial de obras estruturantes. O atraso na liberação dos muitos milhões de reais de convênios firmados com este Estado e a paralisação parcial ou não das construções, só desgastes geram ao governador.
Fim de férias
O Ex-governador Cid Gomes vai para os Estados Unidos, dia 17. Há quem admita que ele esteja retomando os contatos anteriores para passar uma temporada por lá, senão fazendo o mesmo trabalho anteriormente imaginado, no Banco Mundial, mas numa outra atividade, também de visibilidade.
Edison Silva
Editor de Política

Diário do Nordeste

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