12 de março de 2015

Lula diz a Dilma que pronunciamento foi erro político

O ex-presidente Lula acha que a presidente Dilma Rousseff errou ao fazer um pronunciamento no último domingo. Para ele, foi um equívoco devido ao conteúdo ruim e ao momento inapropriado. O ex-presidente avalia que o governo Dilma só gera notícias negativas.
Lula considerou o conteúdo do pronunciamento fraco, mais uma vez responsabilizando a crise internacional por erros que a presidente cometeu no primeiro mandato. Também avaliou que o discurso foi feito na hora errada, porque o assunto principal do país era a lista de Janot sobre a Operação Lava Jato. Dilma criou um fato político que trouxe mais desgaste para ela.
Neste momento, segundo o ex-presidente, seria preciso dar boas notícias, retomando, por exemplo, projetos de concessões para a iniciativa privada. Só com agenda negativa, Dilma vai perder ainda mais popularidade. Ele cobrou ações do ministro Nelson Barbosa (Planejamento), que se reuniria com empresários para retomar o processo de concessões à iniciativa privada.
No jantar de terça-feira entre Lula e Dilma, o PMDB foi um dos temas principais. Lula aconselhou a presidente a mudar a articulação política, realizar uma reforma ministerial que dê mais poder ao PMDB e ouvir mais e dar mais poder ao vice-presidente Michel Temer e ao ministro da Defesa, Jaques Wagner, que o ex-presidente considera os mais habilidosos políticos do governo.
Lula disse a Dilma que foi um equívoco ela ter tentado isolar o PMDB e derrotar Eduardo Cunha na disputa pela presidência da Câmara em 1º de fevereiro. Na opinião dele, os ministros Aloizio Mercadante, da Casa Civil, e Pepe Vargas, da Secretaria de Relações Institucionais, erraram na articulação política.
Lula avalia que é preciso uma reforma ministerial para dar mais poder ao PMDB, a fim de refazer a solidez da aliança com o partido para enfrentar as crises econômica e política.
Nesse sentido, Dilma poderia analisar até uma substituição do ministro Aloysio Mercadante. Mas ela já disse, por meio de nota, que ele continuará no cargo. Oficialmente, a Casa Civil não tem função de articulação política. No entanto, pelo peso que tem, devido à boa relação com a presidente, Mercadante acaba agindo nessa área.
Provavelmente, Mercadante vai se concentrar agora em assuntos administrativos. A presidente gosta e confia no trabalho dele, mas já decidiu que vai dar mais espaço a ministros de partidos aliados no grupo que discute a articulação política.
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Ajuste em negociação
Sem força para votar os projetos no Congresso do jeito que quer, o governo recuou e aceitou a correção escalonada da tabela do Imposto de Renda das Pessoas Físicas. O veto da presidente à correção de 6,5% para todas as faixas seria derrubado. O PMDB entrou em campo e articulou um acordo com correção escalonada. O governo não teve alternativa.
Quando viu que o governo seria derrotado no Imposto de Renda, o vice-presidente da República, Michel Temer, articulou um entendimento do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, com os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Eduardo Cunha. O ministro Jaques Wagner, da Defesa, também ajudou a melhorar a relação com o Renan para que houvesse o acordo.
O caminho para votar o projeto que reduz as desonerações fiscais deverá ser similar. Depois que o presidente do Senado, Renan Calheiros, rejeitou a medida provisória que modificava regras de redução de imposto para 56 setores da economia, o Palácio do Planalto encaminhou um projeto de lei com pedido de urgência urgentíssima. Esse projeto será modificado.
O mesmo deverá acontecer com as medidas provisórias que restringem direitos trabalhistas, mudando regras do seguro-desemprego e da pensão por morte, por exemplo.
A saída para evitar novas derrotas no Congresso em assuntos econômicos é a atuação de Temer, Wagner e Levy como articuladores políticos. Porque os ministros petistas palacianos perderam a capacidade de dialogar com o PMDB e o Congresso Nacional.
Por DANIELA MARTINS
Blog do KENNEDY ALENCAR

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